top of page

A rota da amizade: do isolamento à inclusão social – Um caminho construído a muitas mãos.

  • Foto do escritor: Jacqueline Anzarut
    Jacqueline Anzarut
  • 28 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 4 horas

Toda grande história começa com uma pergunta. A da Rota da Amizade surgiu no início dos anos 1990, quando famílias passaram a se questionar sobre algo que parecia invisível: onde estavam os jovens e adultos com deficiência intelectual dentro da comunidade judaica?


Pessoas celebrando com as mãos para cima

O início de um caminho coletivo


Em 1993, esse incômodo ganhou forma. A partir do levantamento “Todos têm direito a ter um caminho”, realizado com apoio da Doron Foundation, ficou evidente que, apesar de representarem uma parcela significativa da população, pessoas com deficiência intelectual quase não participavam da vida comunitária. Não por falta de interesse, mas por ausência de espaços acessíveis, escuta e oportunidades reais de convivência.

Foi assim que a Rota da Amizade começou a ser desenhada. Primeiro, em pequenos encontros nas casas de famílias que viviam desafios semelhantes. Ali, mais do que falar sobre deficiência, falava-se sobre solidão, medo do futuro e, principalmente, sobre o desejo de pertencimento. Não era sobre assistencialismo. Era sobre conexão.


Do isolamento à inclusão social


Com o tempo, ficou claro que o maior desafio não era a deficiência em si, mas o isolamento social. Jovens e adultos que não tinham amigos, não frequentavam espaços coletivos e não vivenciavam atividades de lazer.

Em 1995, nasce oficialmente o Grupo Chaverim, com uma proposta simples e transformadora: criar vínculos, fortalecer a autonomia e promover a inclusão social de jovens e adultos com deficiência intelectual.


Um espaço para conviver, escolher e crescer


A chegada à Hebraica marcou um novo capítulo dessa história. O clube se tornou ponto de encontro, espaço seguro de convivência e cenário de muitas primeiras experiências. Oficinas culturais, atividades esportivas, encontros aos domingos e passeios externos passaram a fazer parte da rotina.


Atos cotidianos, como ir ao shopping, escolher um lanche ou circular pela cidade, tornaram-se grandes conquistas. Cada escolha reforçava a autonomia e o protagonismo dos participantes.


Uma história que continua sendo construída


Ao longo dos anos, o Chaverim cresceu, se estruturou e se formalizou. A programação se ampliou, os participantes aumentaram e a Rota da Amizade ganhou força dentro da comunidade judaica. Mas o essencial nunca mudou: o cuidado com as relações, o respeito ao tempo de cada pessoa e a certeza de que autonomia se constrói no encontro.


Para muitos participantes, o Chaverim foi a porta de entrada para o “mundo lá fora”. Para as famílias, um alívio ao perceber que não estavam sozinhas. Para a comunidade, um aprendizado contínuo sobre inclusão, convivência e humanidade.

A Rota da Amizade não é apenas um projeto. É um percurso vivo, feito de histórias reais, afetos e descobertas. Um caminho que mostra, todos os dias, que pertencer transforma vidas.



Comentários


bottom of page